Prótese peniana

 

Entendendo a impotência sexual

 

A disfunção erétil ou como é vulgarmente conhecida "impotência sexual" é um problema comum entre os homens principalmente com idade superior a 40 anos. Ocorre devido a várias causas, como hormonais, uso de medicações, problemas psicológicos, doenças do sistema nervoso ou da circulação. Essa condição é uma importante causa de estresse, depressão, queda da auto-estima e de piora da qualidade de vida, os quais podem ser melhorados com o tratamento adequado.

 

 

No tratamento da disfunção erétil, a primeira coisa a se fazer é tentar descobrir a causa, pois a correção da mesma pode resolver por completo o problema. Por exemplo, caso o indivíduo faça uso de medicamento que altere a potência sexual, pode-se tentar substituí-lo por outro que não cause esse efeito colateral, revertendo o caso. Os antihipertensivos, os antipsicóticos, os antidepressivos, alguns sedativos, a cimetidina e o lítio são os mais comumente envolvidos.

 

 

O álcool e cigarro também podem causar impotência.

 

  De qualquer maneira, os objetivos do tratamento são a restauração da capacidade de obter e manter a ereção e melhorar a libido (ou seja, o desejo sexual). Existem várias opções de tratamento para a impotência, sendo que a escolha depende da causa do problema e da preferência do paciente.

 

 

Alguns métodos são incômodos, paliativos (medicamentos, dispositivos a vácuo só funcionam enquanto são usados) e pouco aceitos pelos homens, sendo, por isso, menos usados.

 

 

 Abaixo segue uma breve explicação sobre uma opção definitiva para tratar a impotência sexual: o implante de prótese no pênis.

Prótese Peniana

As próteses penianas surgiram na década de 70, feitas de silicone possui um pequeno filamento metálico por dentro, sendo flexível. Existem diversos tipos de próteses penianas no mercado, com tamanhos diversos, ângulos diferenciados, etc. Algumas próteses penianas são ativadas por uma espécie de "bolsa" de ar ou líquido, implantada juntamente com a prótese, e acionada pelo paciente. Foi a primeira terapia orgânica eficaz para essa condição. Atualmente, as próteses mantêm-se como importante opção terapêutica, naqueles casos que não apresentaram melhora com o uso de outros tratamentos. Apesar de serem menos aplicadas do que outras terapias menos invasivas, as próteses são associadas à maior taxa de satisfação dos pacientes, fornecendo excelentes resultados.

Até há pouco tempo acreditava-se que, com a descoberta de medicamentos e opções não-cirúrgicas para a disfunção erétil, a cirurgia para implante de prótese poderia ser considerada ultrapassada. No entanto, estudos mostraram que com o tempo os tecidos penianos responsáveis pela ereção são substituídos por fibrose, fazendo com que, depois de determinado tempo, a única opção seja mesmo a prótese peniana. Antes do implante da prótese, o médico deve discutir com o paciente todos os detalhes relacionados ao procedimento, bem como as mudanças corporais que ocorrerão e as possíveis complicações. A decisão sobre o implante deve ser tomada em conjunto.

As próteses estão indicadas, basicamente, nos casos de disfunção erétil de origem orgânica, que não respondem aos outros tratamentos, como:

• Doenças neurológicas;
• Doença de Peyronie: caracterizada pela formação de fibrose nos tecidos penianos, podendo causar dor local, curvaturas anormais e disfunção erétil;
• Doenças dos vasos sanguíneos, que afetam o fluxo de sangue para o pênis;
• Doenças, como o diabetes mellitus, que podem afetar os nervos que conduzem os estímulos até o pênis e região pubiana;
• Uso prolongado de medicamentos que afetam a ereção;
• Traumas pélvicos;

 

 

 

Existem basicamente dois tipos de prótese peniana:

 

1) Maleável ou Semi-rígida: pode ser composta de borracha de silicone apenas ou conter um eixo central de metal ou polímero, com anéis interconectados, que garantem boa ereção e flexibilidade. Elas estão disponíveis em diferentes tamanhos e diâmetros, facilitando a adequação a cada caso. As hastes de silicone são implantadas nos corpos cavernosos do pênis, através de cirurgia, e a ereção é conseguida dobrando-se o pênis para cima, na posição normal de ereção. Uma desvantagem desse tipo de prótese é que o pênis não adquire flacidez semelhante à normal, ficando o pênis sempre com aspecto ereto. Entretanto, suas vantagens são: o implante é mais fácil; o índice de complicações é menor; garante boa rigidez e excelente nível de satisfação do paciente; menor custo. Podem durar até 20 anos.

 

 

2) Dispositivos Infláveis: são compostas por duas hastes de silicone reforçado, preenchidas por um líquido (pode ser soro fisiológico), ligadas a um reservatório e a um sistema de insuflação (bomba). Atualmente, estão disponíveis apenas os modelos com duas e três peças e nenhuma delas contém gel de silicone. No modelo de três peças, o reservatório é implantado no interior do abdome. Nesse tipo de prótese, a bomba é implantada dentro do saco escrotal, entre os testículos, e o indivíduo controla a ereção/flacidez peniana através de sua manipulação. Para insuflar a prótese, obtendo-se a ereção, o indivíduo comprime a bomba e o líquido é injetado nas hastes de silicone, implantadas nos corpos cavernosos. A prótese de duas peças é a de mais fácil manuseio. A de três peças é a que garante uma ereção mais próxima do normal, mas é um pouco mais difícil de manusear. A grande vantagem desse tipo de prótese é que, ao contrário das maleáveis, consegue-se um estado de flacidez muito próximo do normal, não causando constrangimento ao paciente. A desvantagem principal é o alto custo, chegando a ser 10 vezes mais caras que as maleáveis. Um problema relatado com esse tipo de prótese é a possibilidade de auto-insuflação, após a realização de atividades físicas. Outro problema observado é a taxa de falha mecânica, com o passar do tempo.

De maneira geral, a técnica de implante dos dois tipos de prótese é semelhante. Trata-se de procedimento cirúrgico, podendo ser feita com anestesia local. A incisão cirúrgica é feita no pênis e no escroto, sendo de pequeno tamanho e, muitas vezes, imperceptível. O tipo a ser implantado depende da preferência do paciente, do custo e da preferência do cirurgião. A retomada da vida sexual pode ser realizada após mais ou menos seis semanas.

 

 

As seguintes questões devem ser abordadas antes da cirurgia:

• Alguns pacientes podem apresentar redução da sensibilidade na glande, após a cirurgia. Porém esse fato não altera a função sexual.

• A ereção obtida com a prótese não é idêntica à ereção normal. Assim, existem diferenças no comprimento e no volume do pênis ereto. O paciente deve estar alerta que o comprimento obtido nunca será o mesmo que ele obtinha com ereção normal.

• A prótese peniana trata apenas a dificuldade de obtenção e manutenção da ereção. Questões como redução do desejo sexual e distúrbios da ejaculação devem receber outra abordagem concomitante, como a psicoterapia.

 

Como procedimento cirúrgico, o implante da prótese peniana associa-se a possibilidade de complicações. Possíveis complicações são:

 

(1) formação de hematomas;

(2) lesão da uretra, que pode ser bastante grave;

(3) perfuração das camadas do corpo cavernoso;

(4) retenção de urina, ou seja, dificuldade para urinar;

(5) escolha errada do tamanho das hastes da prótese;

(6) dor persistente;

(7) formação de fibrose;

(8) infecção, principal complicação e a mais preocupante. A infecção geralmente obriga à retirada da prótese e as alterações causadas por ela dificultam um novo implante.

 

 

Importante ressaltar que essas complicações ocorrem, geralmente, em um pequeno número de pacientes, sendo o procedimento bastante seguro quando realizado por cirurgiões experientes.

A taxa de sucesso da prótese peniana é bastante alta, alcançando níveis excelentes de satisfação, tanto do paciente como da companheira. O nível de satisfação costuma ultrapassar 60%-80%. Na maioria das vezes os homens ficam extremamente contentes com o resultado e costuma se perguntar por que não optaram pelo implante há mais tempo.