Formiga / MG - quinta-feira, 02 de outubro de 2014

Sangue no esperma: assusta mas pode ser uma condição benigna

Sangue no esperma: Devo me preocupar?

 

 

Hematospermia ou hemospermia é definida como o sangue no sêmen. O sangue no ejaculado pode causar grande preocupação para alguns homens. A condição é comum e muitos episódios passam despercebidos, portanto, a prevalência permanece desconhecida. Uma avaliação mínima é recomendável, pois apesar de muitas vezes a causa ser idiopática, benigna ou limitada, a hemospermia pode ser o primeiro indicador de outras doenças urológicas. Hematospermia foi escrita há séculos. Hipócrates, Galeno, Paré, Morgagni e Fournier descreveram essa condição.

 

 

 

 

Fisiopatologia

 

Para uma compreensão das causas da hemospermia, um conhecimento prático da anatomia do complexo ejaculatório é útil. As vesículas seminais têm a função de produzir e armazenar fluido seminal, que é essencial para a fertilidade masculina. As vesículas seminais são bem estudadas pela ultrassonografia. As vesículas seminais são estruturas pares que se encontram cefálicas à próstata por trás da bexiga e tem uma aparência de gravata borboleta em uma imagem transversal. Elas são simétricas, bem definidas, saculares, alongadas. Caudalmente, as vesículas seminais se divergem lateralmente. As dimensões das vesículas seminais variam com a idade, mas não com o estado ejaculatório. Em um ultrassom transretal, as dimensões são estimados em 30 ± 5 mm de comprimento, 15 ± 4 mm de largura, e 13,7 ± 3,7 mL, em volume médio. A idade do paciente e do grau de crescimento da próstata pode causar a variação no tamanho das vesículas seminais.

Os achados de uma ressonância magnética também podem ajudar a delinear a anatomia normal da vesícula seminal: a intensidade do sinal das vesículas seminais pode ser comparada com os tecidos ao redor (ou seja, muscular, esquelético, gordura, urina). As vesículas seminais e ampolas dos vasos deferentes se unem para formar o duto ejaculatório. O ducto ejaculatório viaja através da próstata e entram na uretra, ao nível do verumontanum. A junção entre a vesícula seminal e ducto ejaculatório está dentro da próstata e é difícil de se ver em um sistema saudável desobstruído.

 

 

Frequência

 

A verdadeira prevalência da hemospermia é desconhecida porque a maioria das ejaculações ocorre intravaginal.

 

Idade

 

Hemospermia pode ocorrer em homens de qualquer idade. Em homens mais jovens (<40 anos), a hemospermia é uniformemente benigna. Mesmo em homens mais velhos, raramente é associada com a malignidade.

 

História clínica

 

·         A história do paciente se concentra em trauma, infecção e distúrbios hemorrágicos.

·         A maioria dos homens com hemospermia são jovens (idade média, menores que 40 anos) e têm os sintomas que variam em duração de 1 a 24 meses.

·         A maioria dos pacientes tem mais de um episódio, que ocorrem ao longo de semanas a meses. Hemospermia crônica tem sido determinada quando o sangue no ejaculado que persiste por mais de 10 ejaculações: quando requer avaliação mais aprofundada.

 

 

Exame físico

 

O exame físico deve incluir a medição da pressão arterial do paciente porque a hipertensão pode estar associada com hemospermia. Essa associação é bem reconhecida, porém, o mecanismo exato pelo qual isso ocorre é desconhecido. Pode ter uma base semelhante à associação da hipertensão com hemorragias nasais.

·         O pênis deve ser cuidadosamente inspecionado para descartar todas as lesões que podem sangrar.

·         Os vasos deferentes devem ser palpados ao longo de seu curso inteiro para garantir a sua presença e para afastar qualquer endurecimento ou nódulos. Qualquer nodularidade na ausência dos vasos deferentes, antes de alguma cirurgia (incluindo vasectomia) deve aumentar a preocupação de uma infecção tuberculosa. Quando presentes, os nódulos raramente representam extensão de neoplasias malignas da próstata ou da bexiga.

·         Ao exame retal digital, atenção especial deve ser dada às vesículas seminais e da presença de massas medianas. As vesículas seminais são estruturas normalmente não palpáveis. Se eles são palpáveis, isto geralmente indica patologia subjacente significativa. Em homens mais velhos (mais de 50 anos), a atenção especial deve ser dada à próstata porque a hemospermia pode ocasionalmente ser um prenúncio de câncer de próstata.

 

Causas:

 

Hematospermia é geralmente associada a condições inflamatórias das vesículas seminais ou da próstata. A condição é muitas vezes auto-limitada e resolve dentro de 1 a 2 meses. Se a hemospermia persistir para além de 2 meses, uma investigação adicional é recomendada para determinar a causa. Em aproximadamente metade dos casos, a etiologia é idiopática. No entanto, isto pode refletir uma avaliação incompleta.

 

·         Condições da próstata:

 

 o   A etiologia mais comum é a biópsia da próstata, que produz hemospermia auto-limitada a alguns dias. Em uma série de casos, a prostatite foi citada como a etiologia em 30% dos pacientes. Outros autores têm reconhecido o câncer de próstata como um fator etiológico. Neoplasias malignas são responsáveis por 2% dos casos. Em um estudo de longo prazo de seguimento de 150 pacientes com hemospermia, apenas 6 pacientes evoluíram para carcinoma de próstata, e nenhum tinha carcinoma de próstata diagnosticado no momento da avaliação inicial.

 o   No entanto, um estudo recente realizado por Han et al relataram um aumento significativo do risco de câncer de próstata entre os homens com hemospermia. De 139 homens com hemospermia, 19 (13,7%) foram diagnosticados com câncer de próstata. Na coorte total de 26.126 pacientes, a taxa de detecção do câncer de próstata foi de 6,5%. Na análise de regressão logística, a presença de hemospermia foi um preditor significativo do diagnóstico de câncer de próstata. Esta ainda é uma área controversa da investigação. Mais recentemente, Prando (2008) relatou uma série de 86 homens com hemospermia e descobriu o câncer de próstata em apenas um paciente.

 o   Hemospermia também pode ser causada por telangiectasia da próstata e varizes locais. Para diagnosticar essa condição, pode ser necessária uma cistoscopia realizada após uma ereção por indução farmacológica.

 o   A hemospermia não é um sintoma da síndrome reconhecida como prostatite crônica.

 o   Pode haver um número significativo de pacientes com cálculos da próstata.

 o   É possível uma dilatação cística do utrículo prostático, em associação com hemospermia

Outras causas: braquiterapia, biópsia da próstata, resscção endoscópica da próstata.

 

·         Condições da uretra:

 

 o   Uretrite tem sido reconhecida como uma causa da hemospermia, especialmente em homens mais jovens.

 o   Outras lesões da uretra levando a hemospermia incluem cistos, pólipos, condilomas, estenoses, pólipos benignos da uretra.

 

 

·         Vesículas seminais:

 

 o   Cistos adquiridos das vesículas seminais.

 o   Cisto congênito resultado de um erro no desenvolvimento embrionário e estão associados com a agenesia renal ipsilateral e / ou da ausência congênita ipsilateral dos vasos deferentes.

 o   Cistos adquiridos geralmente resultam de processos infecciosos, neoplasias das vesículas seminais e são uma causa rara de hemospermia.

 o   Mais recentemente, amiloidose das vesículas seminais foi descrito estar relacionado com hemospermia.

 o    Lesões hemorrágicas ou cistos da vesícula seminal e ducto ejaculatório são as causas mais identificáveis de hemospermia.

 

 

·         Infecções:

 

 o   Infecções e doenças inflamatórias correspondem a 40% dos casos. Causas infecciosas de incluem:Tuberculose, esquistossomose, hidatidose, infecções por citomegalovírus, herpes, Chlamyia trachomatis, Enterococcus faecalis e Ureaplasma urealyticum.

 

·         Trauma:

 

 o   Injeção esclerosante hemorroidária, instrumentação uretral, e testicular, trauma contuso perineal e biópsia prostática transretal também devem ser incluídos nesta categoria.

 

·        Doenças sistêmicas:

 

 o   Hipertensão, doença hepática crônica, amiloidose, linfoma e diáteses hemorrágicas.

 

Como se faz o diagnóstico?

A história do paciente é típica. Raramente chega-se ao ponto de fazer um exame do conteúdo do esperma. Na avaliação do paciente devemos descartar o uso de ácido acetilsalicílico o qual altera a coagulação. Todo o paciente deve ser examinado do ponto de vista urológico principalmente os que apresentam sintomas paralelos.

Exames de urina, urocultura com antibiograma fazem parte da rotina diagnóstica.

 

 As vesículas seminais são bem estudadas pela ultrassonografia. As vesículas seminais são estruturas pares que se encontram cefálicas à próstata por trás da bexiga e tem uma aparência de gravata borboleta em uma imagem transversal. Elas são simétricas, bem definidas, saculares, alongadas. Caudalmente, as vesículas seminais se divergem lateralmente. As dimensões das vesículas seminais variam com a idade, mas não com o estado ejaculatório. Em um ultrassom transretal, as dimensões são estimadas em 30 ± 5 mm de comprimento, 15 ± 4 mm de largura, e 13,7 ± 3,7 mL, em volume médio. A idade do paciente e do grau de crescimento da próstata pode causar a variação no tamanho das vesículas seminais.  Cálculos prostáticos ou de ductos ejaculadores, obstrução dos ductos deferentes e vesículas seminais, cistos prostáticos ou de condutos deferentes poderão aparecer como causa da hemospermia.

 

 

 

Uma uretrocistoscopia pode mostrar alterações da mucosa urotelial.

 

 

Os achados de uma ressonância magnética também podem ajudar a delinear a anatomia normal da vesícula seminal: a intensidade do sinal das vesículas seminais pode ser comparada com os tecidos ao redor (ou seja, muscular, esquelético, gordura, urina). As vesículas seminais e ampolas dos vasos deferentes se unem para formar o duto ejaculatório. O ducto ejaculatório viaja através da próstata e entram na uretra, ao nível do verumontanum. A junção entre a vesícula seminal e ducto ejaculatório está dentro da próstata e é difícil de ver em um sistema saudável desobstruído.

  

 



Tratamento

O tratamento pode ser conservador com interrupção da atividade sexual por um breve período, evitar traumatismos sobre a próstata (períneo) como andar de bicicleta, moto ou fazer hipismo. Drogas antiinflamatórias podem ser usadas com um efeito questionável. Inibidores do crescimento prostático têm sido usados ultimamente com relativo sucesso como a finasterida. Em casos selecionados o uso de Destilbenol pode ajudar na hiperplasia da vesícula seminal. Quando uma causa objetiva for encontrada deve ser tratada. Por exemplo, uma prostatite bacteriana pode ser causa de hemospermia. Nessa situação, antibióticos devem ser instituídos.

Concluímos que a hematospermia é condição benigna e auto-limitada na maioria dos casos, porém que acarreta grande ansiedade ao paciente.