Câncer de próstata: prevenção deve se iniciar aos 45 anos

O câncer de próstata é extremamente comum, embora a sua causa exata seja desconhecida. Quando se examina ao microscópio um tecido prostático obtido através de uma cirurgia prostática ou de uma autópsia, é detectado um câncer em 50% dos homens com mais de 70 anos de idade e praticamente em todos com mais de 90 anos. A maioria desses cânceres nunca produz sintomas porque eles disseminam-se muito lentamente. No entanto, alguns cânceres de próstata crescem mais agressivamente e disseminam-se por todo o corpo. Embora menos de 3% dos homens com a doença morra devido a ela, o câncer de próstata permanece sendo a segunda causa mais comum de morte por câncer entre os homens norte-americanos.

 

 

Razões principais porque os homens não consultam sobre a próstata:

 

- Noção errada de que os sintomas urinários são um acontecimento normal da idade;

- Medo de um diagnóstico de câncer;

- Medo da cirurgia e das suas potenciais complicações;

- Relutância e embaraço em discutir os sintomas urinários e da esfera sexual com o médico de família, especialmente se este for do sexo feminino, e até receio de ser submetido a um toque retal, exame necessário para a observação da próstata.

 

Sintomas

 

Geralmente, o câncer de próstata evolui lentamente e não causa sintomas até atingir um estágio avançado. Algumas vezes, ocorrem sintomas semelhantes aos da hiperplasia benigna da próstata, como a dificuldade de micção e a necessidade de urinar frequentemente. Estes sintomas ocorrem porque o câncer obstrui parcialmente o fluxo urinário através da uretra. Posteriormente, o câncer de próstata pode causar urina sanguinolenta ou retenção urinária súbita. Em alguns casos, o câncer de próstata somente é diagnosticado quando ele dissemina-se (produz metástases) para os ossos (sobretudo a pelve, as costelas e as vértebras) ou para os rins, produzindo insuficiência renal. O câncer ósseo tende a ser doloroso e pode enfraquecer suficientemente os ossos a ponto de causar fraturas. Após a disseminação do câncer, a anemia é comum. O câncer de próstata também pode disseminar-se para o cérebro, causando convulsões, confusão mental e outros sintomas mentais ou neurológicos.

 

 Os sintomas do câncer de próstata são geralmente tardios

 

Diagnóstico

 

Como o câncer de próstata é muito comum, muitos médicos realizam o exame preventivo, de modo que o diagnóstico possa ser realizado em um estágio inicial, quando o câncer ainda pode ser curado. O melhor modo para se prevenir o câncer de próstata consiste na realização anual do toque retal e do exame de sangue (PSA). Durante o toque retal, o médico palpa a próstata. Quando o indivíduo apresenta um câncer de próstata, o médico freqüentemente consegue palpar um nódulo. O exame de sangue mensura a concentração do antígeno prostático específico (PSA), uma substância que normalmente está elevada nos indivíduos com câncer de próstata, mas que também pode estar elevada (geralmente em menor grau) em indivíduos com hiperplasia benigna da próstata. Este exame não detecta aproximadamente um terço dos cânceres de próstata (resultado falso-negativo) e em aproximadamente 60% das vezes indica a presença de câncer, quando ele na realidade não existe (resultado falso-positivo). Embora o exame preventivo aumente a chance da detecção precoce, ele também pode acarretar a realização de exames e tratamentos onerosos e desnecessários baseando-se em um resultado falso-positivo.

Quando o médico palpa um nódulo, a próstata deve ser mais investigada através de uma ultrasonografia, um exame que usa ondas sonoras. Quando a ultrassonografia revela um nódulo suspeito, o médico geralmente realiza a coleta de amostras de tecido prostático (biópsia). Antes da coleta das amostras, o indivíduo é submetido a uma anestesia (uma sedação endovenosa). O procedimento não exige hospitalização. As amostras de tecido são examinadas ao microscópio e podem ser submetidas a exames bioquímicos.

 

Biópsia da próstata: as três setas indicam as áreas examinadas

 

Esses exames ajudam a determinar se o câncer é do tipo agressivo que pode se disseminar rapidamente ou do tipo mais comum que tende a crescer e a se disseminar mais lentamente. Eles também indicam a extensão do comprometimento da glândula pelo câncer. Os tumores ósseos metastáticos podem ser detectados através de exames radiográficos ou da cintilografia óssea. Dois parâmetros ajudam o médico a determinar a possível evolução do câncer e o melhor tratamento:
• Até onde o câncer disseminou. Se ele estiver confinado a uma pequena parte da próstata, levará muitos anos para que o tumor se dissemine para as áreas circunvizinhas da glândula e, em seguida, para os ossos e outras partes do corpo.
• O quão maligno é o aspecto das células. As células do câncer de próstata mais anormais ao microscópio tendem a crescer e a disseminar-se mais rapidamente.

Tratamento

A cirurgia de grande porte, a radioterapia e os medicamentos podem tratar o câncer de próstata. O tratamento apresenta menos vantagens para os homens com expectativa de vida menor que 10 anos do que para os homens jovens, pois os idosos apresentam maior chance de morrer por outras causas. Muitos homens com câncer de próstata, sobretudo os mais idosos com um câncer no estágio inicial que cresce lentamente, decidem que o melhor é uma atitude expectante sob controle. Quando o paciente e o seu médico decidem pelo tratamento, o tipo de terapia dependerá da extensão da doença.

O câncer limitado à próstata freqüentemente pode ser curado através da remoção cirúrgica da glândula ou através da radioterapia externa ou braquiterapia.

Cirurgia

Prostatectomia radical é uma boa opção para o câncer de próstata

 

Nos homens sexualmente ativos com certos tipos de câncer, um procedimento cirúrgico denominado prostatectomia radical com preservação da potência pode ser utilizado. Este procedimento, o qual preserva os nervos, também preserva a potência sexual em aproximadamente 75% dos pacientes. Menos de 5% tornam-se incontinentes. Contudo, as chances de sucesso do procedimento são menores para os tipos agressivos do câncer e ele é inútil para os cânceres que produziram metástases.

Radioterapia

Radioterapia externa              Braquiterapia

 

A radioterapia externa pode ser utilizada para tratar o câncer confinado à próstata. Ela também é uma opção quando o câncer invadiu os tecidos além da próstata, mas ainda não se disseminou para órgãos distantes. A radiação é aplicada com um aparelho de emissão externa ou através de implantes radioativos que são inseridos na próstata. O câncer de próstata metastático avançado é incurável, mas os sintomas freqüentemente podem ser aliviados. A braquiterapia pode ser realizada em tumores localizados na próstata.

 

Medicamentos

 

Como muitos cânceres de próstata dependem do nível de testosterona do indivíduo, os tratamentos que bloqueiam os efeitos deste hormônio podem tornar o crescimento dos tumores mais lento. Aproximadamente 80% dos homens com câncer de próstata apresentam uma resposta benéfica ao tratamento que bloqueia esses efeitos. Uma maneira de bloqueá-los é administrando determinados medicamentos (p.ex., leuprolida). No entanto, este tratamento produz alterações importantes no corpo do homem, incluindo a redução da libido, a impotência e a ginecomastia (aumento das mamas). Além disso, em até um terço dos homens com doença avançada, o câncer torna-se resistente a esse tratamento em um ano.

Cirurgias paliativas

 A orquiectomia bilateral (remoção de ambos os testículos) reduz enormemente o nível da testosterona, mas os efeitos físicos e psicológicos tornam este procedimento inaceitável para alguns homens. No entanto, a orquiectomia bilateral é eficaz, não exige tratamentos repetidos, é menos onerosa que a terapia medicamentosa e não exige que o paciente pernoite no hospital. Em casos selecionados, em tumores disseminados que também obstruem a uretra, uma ressecção endoscópica da próstata pode ser realizada. Um câncer ósseo doloroso que não responde a outros tratamentos pode ser tratado com radioterapia ou com medicamentos que podem reduzir o tamanho dos tumores (p.ex., mestranol).